Na semana em que se inicia o debate no STF sobre cotas para negros em alguns setores da sociedade onde este segmento étnico sofre exclusão, sobretudo nas universidades, a Secretária de Estado Hillary defendeu a política de cotas para os negros no ensino superior. Segundo a ex-primeira dama norte-americana, essa política foi adotada pelos EUA ainda na década de 60 e foi por razões como essa que hoje o país tem um presidente negro como Obama.
A Secretária de Estado americana, citou uma experiência pessoal para defender a pratica de ação afirmativa no Brasil – sistema que tenta ajudar minorias e inclui atos como cotas nas universidades ou no trabalho, por exemplo.
Segundo Hillary, "algumas medidas devem ser tomadas para que esses estudantes tenham sucesso". Ela disse que "o talento é universal, mas as oportunidades não".
Presente na Universidade Zumbi dos Palmares, a Secretária norte-americana disse o seguinte ao ser questionada sobre as cotas:
- Eu não sei os detalhes do caso ante à Suprema Corte. O que eu sei é que os afro-brasileiros são mais de 50% da população, mas apenas 2% dos estudantes das universidades são afro-brasileiros.
O STF realiza até sexta-feira (5) três audiências públicas sobre as políticas de cotas no ensino superior brasileiro. O órgão decidiu ouvir a sociedade após receber duas ações que questionam, do ponto de vista constitucional, a reserva de vagas nas universidades a partir do critério racial.
A primeira ação é do DEM (Democratas), que contesta o sistema de reserva de vagas na UnB (Universidade de Brasília), e a segunda é de um estudante que diz ter sido prejudicado pelo sistema de cotas da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
A primeira audiência foi aberta nesta quarta-feira (3) pelo ministro Ricardo Lewandovski, relator do Supremo desses dois processos.
Para o contento do Mandato Alternativo, que juntamente com o vereador Marião levantou este debate aqui em Nova Andradina, no primeiro dia da audiência pública, (3) que trata de políticas afirmativas para a reserva de vagas no ensino superior, a maioria dos expositores se manifestou favorável às chamadas cotas raciais em universidades públicas. Dos oito participantes, apenas a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) não assumiu uma posição no debate, alegando não ter informações necessárias para tão já manifestar opinião.
No Brasil, este tema sobre cotas raciais é muito recente, algumas ações isoladas iniciaram no ano de 2001, ou seja, nos EUA estas ações afirmativas começavam a entrar em vigor há mais de 40 anos.
Até o final de 2009, 52 mil estudantes brasileiros foram beneficiados com cotas nas universidades. Isso significa que são 52 mil profissionais que vão disputar em igualdade de condições os melhores postos de trabalho. O Brasil precisa das ações afirmativas para superar obstáculos impostos pelos equívocos históricos impostos as etnias afro-indígenas, que por séculos foram tratadas como animais de tração, irracionais e sem alma.